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  • Apple busca nos serviços mais participação de mercado

    Por Abradisti em 05/11/2019 13:34:52

    A famosa e rentável fabricante apresenta seu mais novo produto com preço reduzido e indica qual caminho quer percorrer a partir de agora. Confira!

    Por Lucas Porto*

    O mercado de tecnologia se habituou a segurar o fôlego cada vez que a Apple realiza sua apresentação anual de novos produtos. E só o fato de conseguir manter esse nível de interesse, após doze anos do lançamento do primeiro iPhone, já é um feito e tanto!

    Mas eles têm sofrido um pouco para manter os altos padrões a que se propuseram desde o início, principalmente em razão da competição asiática por parte da Samsung, Huawei entre outras empresas. E ainda tem a guerra comercial do presidente norte-americano Donald Trump e a queda generalizada nas vendas globais de smartphones.

    Os fãs da Apple ficaram contentes ao ver a gigante de Cupertino, na Califórnia, aparecer com seus últimos lançamentos na semana passada. Apesar de muito se falar de equipamentos como o iPhone 11, a apresentação foi clara em pontuar o foco da empresa em recuperar a participação de mercado e virar suas receitas mais para serviços.

    O que tem de novo?

    No evento de lançamento  nós presenciamos:

    1. Uma sétima geração atualizada do iPad, com telas maiores de 10.2in, um processador A10 Bionic e um conector inteligente para integrar com um teclado inteligente opcional;
    2. O novo Apple Watch Series 5, com display ligado constantemente e acabamento em cerâmica e titânio;
    3. O lançamento de uma data para o serviço de streaming Apple TV+ (1º de novembro) e um ano de assinatura grátis incluso em qualquer equipamento Apple novo;
    4. O iPhone 11: um smartphone novo com 6.1in com processador A13 Bionic e GPU que recebeu ótimas críticas. Ele conta com as versões Pro e Pro Max com melhoras significativas na câmera. O mais impressionante é que com preço inicial de US$ 699,00, o modelo de entrada é US$ 50 mais barato que o iPhone XR do ano passado.

    Margens e serviços

    Por que a Apple (fabricante famosa e com negócios de margens altas) decidiu reduzir os preços em seu último lançamento? Simples relação de oferta e demanda, especialmente na China e Índia onde a Apple tem sofrido mais para justificar seus preços altos frente aos concorrentes com produtos mais baratos, porém com aparelhos elegantes como os da Xiaomi, Oppo e outros.

    Será que essa estratégia vai funcionar? Acreditamos que sim. Apesar de não trazer a tecnologia 5G no iPhone modelo 2019 temos boas razões para acreditar em um mini super ciclo. Por quê? Por causa da combinação de um preço relativamente baixo do iPhone 11 e o fato de a média de idade dos iPhones que estão em uso no mercado estar em seu ponto mais alto, ou seja, tem muito aparelho antigo em uso. O preço mais alto dos aparelhos no ano passado fez com que os consumidores se mantivessem com seus iPhones, mas a nova política de preços do iPhone 11 deve gerar consideravelmente mais vendas em unidades do que o modelo anterior XR.

    Isso tudo pode ser visto como parte de uma estratégia muito mais abrangente da Apple que quer conseguir recuperar participação de mercado. Tanto o preço do iPhone 11 quanto a decisão de absorver as taxações de Trump sobre produtos da China demonstram a mudança de foco no preço médio para aumentar o número de unidades vendidas. É uma atitude inteligente de médio prazo, já que isso vai alavancar as vendas de serviços, o negócio que mais cresce hoje na Apple.

    A assinatura gratuita do Apple TV+ incluso na compra de todos os aparelhos novos da marca deve justificar a troca do equipamento para muita gente e ao mesmo tempo cria uma base de clientes potenciais para os serviços Arcade e News+. Acima de tudo a estratégia vai criar um ciclo virtuoso de receita vinda das assinaturas, que é mais sustentável que a venda única de aparelhos e garante mais estabilidade nos resultados da empresa.

    Essa seria mais uma oportunidade de dizer que o futuro da rentabilidade está nos serviços e não nas margens baixas que o distribuidor tem com o hardware. Sendo essa a estratégia da Apple, podemos estar presenciando uma consolidação dessa transição de mercado - do produto como serviço — porém de forma bem mais madura.

    A tendência de transformar o equipamento, seja ele um servidor ou um smartphone, em serviço é o grande negócio. Fidelizar o cliente com esse tipo de operação não é novidade, mas o distribuidor agora pode ganhar muito mais se conseguir garantir as parcerias com o fabricante e tornar o acesso para o cliente mais transparente.

    *Lucas Porto é Country Manager Brasil da CONTEXT World

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