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  • Financiamento para inovação desafia distribuição de TI

    Por Abradisti em 03/03/2020 17:33:20

    Transformação digital exige programas estruturados de inovação nas empresas. Agências de fomento e leis de incentivo podem ajudar a obter recursos, defende especialista

    Não são poucos os desafios impostos pela transformação digital (TD) ao setor de distribuição de TI. Apostar mais em soluções e serviços que incluam computação em nuvem e análise de dados, entre outras tendências, e menos na movimentação de hardware é apenas uma parte da equação. Inovar na velocidade imposta pelo mercado exige estratégia e recursos, por isso, levanta a pergunta: como financiar iniciativas inovadoras, considerando que o setor opera sob margens tão estreitas?

    A obtenção de linhas de crédito públicas – nacionais e internacionais – são parte da resposta, garante Rodrigo Miranda, diretor de operações do GAC Group, consultoria multinacional de origem francesa cujo principal objetivo é ajudar companhias de todos os setores a se organizarem e a obterem recursos destinados à inovação. Oferece serviços no Brasil desde 2011, principalmente para empresas que queiram obter recursos via Lei do Bem, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

    “A transformação digital vai mudar muito a forma como os distribuidores trabalham. Seja pelas margens apertadas ou pelo ambiente regulatório e fiscal bastante complexo, tanto em nível estadual como federal”, reflete o consultor. “Nos próximos 5 anos, com o crescimento exponencial da inovação e a chegada do 5G no Brasil, todos os setores terão projetos em curso.”

    Ao menos a Transformação Digital nem sempre envolve investimentos elevadíssimos em novas tecnologias completamente disruptivas. Muitas soluções são relativamente acessíveis ou envolvem majoritariamente melhoria de processos, incluindo logísticos, financeiros, operacionais etc. A parte positiva é que incrementos do tipo também são considerados inovação no Brasil para a obtenção de financiamento.

    Rodrigo Miranda, diretor de operações da GAC Brasil

    Rodrigo Miranda, diretor de operações da GAC Brasil

    Para o especialista, saber que caminho seguir envolve incluir inovação no planejamento estratégico da empresa, ou seja, na forma de seus líderes enxergarem o caminho a seguir nos próximos cinco anos.

    “Margens curtas obviamente não permitem investimentos muitos altos. Todo esse trabalho de estratégia de inovação está sempre de braços dados com a busca de recursos. É aí que a Lei do Bem entra”, explica Miranda. Ele salienta que linhas públicas de financiamento com taxas baixas e longos prazos de pagamento e carência, ou mesmo aportes à fundo perdido, são acessíveis. No entanto, é preciso planejamento.

     

    Alicerçando a inovação

    Ao longo dos anos de atuação no Brasil, a consultoria “começou a ver que só buscar incentivo fiscal não é suficiente. As empresas demandam apoio para estruturar suas áreas de inovação”, conta Miranda. “Passamos então a olhar a estratégia de inovação como um todo, e o incentivo fiscal entra depois. No Brasil isso inclui que ferramentas e indicadores usar.”

    Muito embora a Lei do Bem seja inspirada na francesa Crédit Impôt Recherche (ou CIR, em tradução livre Crédito Fiscal de Pesquisa), o cenário de incentivos brasileiro é distinto daquele observado na França. Hoje são cerca de 23 mil empresas que contam com o apoio no país europeu, que serve principalmente para financiar pesquisa e desenvolvimento em empresas. No Brasil são pouco menos de 2 mil empresas enquadradas, e o conceito de inovação é bem mais amplo.

    Os requisitos para aumentar esse número de empresas beneficiadas no Brasil com as leis de incentivo e/ou gestão estratégica da inovação estão sendo cada vez mais divulgados, por exemplo, pela mídia. Muitas empresas já discutem inovação em comitês estratégicos e alta direção, mas “falta estrutura mais consistente”, diz Miranda. “Temos visto em muitas empresas planeamentos não alinhados, o que é um problema. E elas têm dificuldades para estabelecer indicadores. O que elas obtêm de retorno com inovação não é tão tangível.”

    Como resultado dessa falta de visibilidade, muitas acabam se frustrando com suas iniciativas e projetos. Por isso a estruturação de processos internos de inovação é fundamental, segundo o especialista. Inclusive porque agências de fomento vão querer saber que retorno é esperado para projetos financiados.

    Talvez isso explique a baixa quantidade de empresas que buscam recursos de agências de fomento, considerando que o número de companhias inovadoras no País é muito maior do que aquelas que efetivamente obtém recursos via Lei do Bem.  Das 150 mil empresas brasileiras optantes pelo regime tributário do Lucro Real – condição essencial para a utilização dos incentivos fiscais da Lei do Bem, apenas 1.850 usufruíram do benefício em 2018, segundo dados do Governo Federal.

     

    Exemplos positivos

    São vários os setores operando com margens reduzidas no Brasil atualmente, o que não os impede de buscar recursos da Financiadora de Estudos e Projetos, ou simplesmente Finep – empresa pública ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação que fomenta inovação em empresas, universidades e outras instituições, públicas ou privadas. “É um recurso interessante, obtido até com certa facilidade”, explica Miranda.

    Uma das modalidades de financiamento é o chamado Finep 30 dias, que leva entre 30 e 60 dias para aprovar projetos, dependendo da complexidade. Ele permite investir inclusive em inovação de curto prazo, que trarão rápido impacto para a empresa sem afetar diretamente a atividade-fim – normalmente a mais complicada de inovar.

    “Uma das frentes de trabalho da GAC é se sentar com as empresas e entender o que têm em mente, e a partir daí formatar projetos para que sejam alvo de financiamento público. Quais buscar vai depender do grau de inovação, se é desenvolvido com universidades e institutos de pesquisa etc.”, explica o especialista. “Dar direcionamento, escrever o projeto e o plano de negócios. Não é algo muito distante das empresas.”

    Além da Finep, do BNDES e da Fapesp, existem agências regionais espalhadas pelo País. Elas também oferecem linhas de crédito para inovação que podem ser interessantes, de acordo com o objetivo de cada organização. Há inda linhas internacionais, oferecidas agências, governos ou instituições estrangeiras.

     

    Palestra para associados da Abradisti

    Estes temas foram tratados com mais profundidade na palestra “Inovação na Distribuição de TI: como investir reduzindo a carga tributária”. A GAC Group Brasil e a Abradisti convidaram os associados para uma palestra sobre a Lei do Bem e outras ferramentas que podem ajudar a investir em inovação.

    Leia mais detalhes sobre o evento no Portal da GAC.

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