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  • News Context: Os efeitos do Brexit

    Por Abradisti em 02/04/2019 10:43:15

    A discussão sobre a saída do Reino Unido da União Europeia já está impactando o mercado de distribuição. As empresas estão indecisas se atuam ou não com um plano de contingência. Veja a opinião da Context e de outras lideranças europeias sobre o Brexit

    A briga para a saída do Reino Unido da União Europeia - BREXIT - já está mais longa do que se esperava e cria um efeito negativo nos distribuidores do setor de TI. A possibilidade de não se chegar a um acordo vem aumentando e causando mais demora no transporte e checagem alfandegária, com taxas e receitas mais baixas.

    A situação vai se mostrando cada vez mais complicada, pois os impedimentos seriam suficientes para tornar a operação inviável, uma vez que nosso setor já conta com margens bastante restritas no cenário atual.

    Porém, na opinião pública muitas lideranças preferem não executar planos de contingência.

    "Eu não acho que haja qualquer empresa que não esteja pensando no que um NO BREXIT significaria para seus negócios", diz Adam Simon, analista de vendas de TI na Context. "Alguns distribuidores vieram a público dizer que estão estocando produtos e muitos outros, não. E tem aqueles que estão esperando para ver o que realmente acontecerá."

    Apostando errado?

    É sempre um risco apostar. Enquanto escrevemos esse artigo, o acordo para o Reino Unido deixar a União Europeia foi rejeitado pela terceira vez, então a realidade ainda é de NO BREXIT e investir em estoques seria desnecessário.

    "Você sempre precisa equilibrar os ganhos que teria com o estoque contra a possibilidade de perdas por estar super estocado”, disse Simon da Context.

    O Global Technology Distribution Council (GTDC) tem uma perspectiva diferente.

    "Nós não vemos muitas mudanças no momento", ressaltou o diretor da GTDC EMEA, Peter van den Berg. "Tenho certeza de que os grandes distribuidores têm seus planos, mas não estão compartilhando. Eu mesmo não tenho visibilidade desses planos. Mesmo que a verdade seja que ninguém sabe o que está por vir, por agora nós temos que seguir em frente e conviver com essa incerteza.

    Os hábitos de compras mudaram?

    Então, mas e a visão do revendedor?

    Simon disse que a postura de esperar do distribuidor acabou afetando o cliente, ou seja, a revenda.

    Se olharmos o mês a mês do relatório da Context no Reino Unido, os números já indicam uma pequena contradição. Em janeiro houve um aumento nas vendas de 7.6% aa, enquanto em fevereiro houve uma queda de 2.5% aa.

    Peter van den Berg acrescentou ainda que os números dos próximos dois meses terão grande impacto caso não haja o acordo para o BREXIT. "Se houver alguma mudança nas tarifas, no final das contas é o cliente quem vai pagar, pois com as margens da distribuição, não tem como esses aumentos serem absorvidos."

    Enquanto isso, a gigante baseada nos EUA ScanSource recentemente anunciou que reforçou sua presença no Reino Unido com um novo centro de distribuição em Southampton, já entrando em operação. Contudo, a ScanSource nega que isso seja uma manobra relacionada ao BREXIT.

    A empresa comentou à CRN que essa estratégia já estava sendo realizada, mas reconheceu que com o BREXIT batendo à porta, o investimento se tornou uma grata surpresa.

    Custos extras potenciais

    Como uma empresa inglesa, a Context também encoraja os distribuidores a reservar um orçamento para o caso de um não acordo do BREXIT, já que isso poderia causar algum movimento social similar aos protestos na França.

    "Vivemos em um momento em que o populismo se torna mais forte, então aconselhamos um pouco de precaução com a possibilidade de protestos afetarem os negócios. Na França as estradas estão bloqueadas por dias."

    Fato é que o mundo passa por uma onda populista que causa o fechamento de muitas fronteiras e mercados. Isso se reflete nas consolidações de que viemos falando e na maneira de se fazer negócios tanto aqui quanto lá. Talvez a solução seja o serviço, não apenas pela lucratividade que pode gerar, mas pela única forma de viabilizar o uso da tecnologia e aí está a oportunidade.

    Lucas M. Porto é Country Manager Brasil da CONTEXT World

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